sábado, 1 de maio de 2010

PRÓLOGO

Imagem: http:3.bp.blogspot.com/_PPYmKQoHdCk/SSMXMKUtdqI/AAAAAAAAANo/w46VfLZRYhQ/s400/escrevendo.jpg


Chegou o momento em minha vida de tomar esta atitude. Ressalto que em situações decisivas sempre fui intrépido, por isso sou hoje o que sou. Mas ainda faltava este último posicionamento. Tomo-o agora antes que seja tarde. Há para qualquer ser humano situações que o impelem a medidas drásticas. Conhecê-las é, pois, para qualquer pessoa, evitar o alumbrando ao pensar estar diante de um herói ou mártir. O mundo está cheio deles. Ainda que anônimos somos todos heróis e mártires de nossa própria luta. Estou doente. E, como me revelou o médico, com os dias contados. Não quero mais guardar tão grande segredo.

O que consagrado neste blog é uma parte inédita de minha obra de escritor. Sabem então algo mais sobre mim: sou escritor; um escritor com algum reconhecimento e uma razoável obra publicada, inclusive traduzida para várias línguas. Mais que isso é desnecessário saber por hora. E por quê? Como disse, tornarei pública uma parte inédita de minha obra, a que ordinariamente vem a lume intitulada póstuma na biografia dos escritores, não obstante recorra a um pseudônimo e com isso à possibilidade que a internet me dá de continuar verdadeiramente anônimo.

Os motivos desta opção são absolutamente familiares. Os apontamentos, as crônicas aqui publicadas revelam o que mais gosto de fazer além de escrever: sexo! E se minha mulher conhecesse minhas tantas peripécias, a separação seria uma certeza. Os escritos não obedecerão ao rigor cronológico, nem às épocas de solteiro e casado. Alternam-se, simplesmente, conforme a lembrança e o desejo de escrevê-los.

Alerto para que ninguém pense que sou um Dom Juan, um Casanova, nada disso. Não sou ficção como o primeiro, nem um verdadeiro dissoluto como o segundo. Guardo mais semelhanças com o personagem Maurício Vilaça, de A Revolta, livro de Márcio Souza, da tetralogia Crônicas do Grão-Pará e Rio Negro, envaidecido por ter tido todas as mulheres que quis à hora que desejou. Como na realidade as coisas nunca são iguais à ficção, não postulo nem a imortalidade dos dois primeiros, tampouco a vanglória do último.
Quero apenas excitar a lubricidade presente nos quantos lerem este blog; deliciar-me com as suas reações e opiniões, o que seria impossível se a obra continuasse inédita; e livrá-la, sobretudo isso, da destruição por parte de minha família ao conhecê-la por ocasião da minha morte anunciada.
Um abraço do amigo
Nem Dom Juan nem Casanova

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